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Se a Inteligência Artificial existe, Deus é permitido? De Dostoiévski ao Homo deus, de Yuval Harari | Prof. Dr. Flávio Ricardo Vassoler
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DIA 12/05/26 | TERÇA-FEIRA | 20h
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Atribuído a Ivan Karamázov, personagem do romance Os irmãos Karamázov (1880), o aforismo “se Deus não existe, tudo é permitido” sintetiza um diagnóstico de época sobre a modernidade por parte do grande escritor russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881), para quem a ausência de uma instância absoluta para salvaguardar o bem e o mal poderia levar os seres humanos a um radical relativismo ético (niilismo), sem que tivéssemos um norte para, em algum momento, nos arrependermos de nossas faltas, que, assim, já não seriam vistas como faltas — nesse sentido, a única instância de avaliação humana que existe, mas que logo deixará de existir, é o próprio ego, que tende a se voltar para si em detrimento dos demais.
Analisadas pelo prisma de tal niilismo, as principais personagens de Dostoiévski encarnam, assim, a dimensão de levar às últimas consequências a potencial morte moderna de Deus para substituir o trono vago da divindade pelo próprio ego: Raskólnikov (Crime e castigo, 1866) quer tomar para si o ímpeto homicida para matar o “Não matarás”; o já referido Ivan Karamázov discerne que, se Deus Pai já não existe, por que não solapar seu próprio pai terreno para testar o niilismo de maneira prática e, ainda por cima, abocanhar uma herança polpuda?; Kiríllov (Os demônios, 1872) e o homem ridículo (O sonho de um homem ridículo, 1877) discernem que, se Deus não existe, se a finitude e a morte darão fim a tudo, e se, portanto, a vida não tem sentido algum, é preciso ceifar a própria vida com o suicídio — se, raciocina Kiríllov, o poder primordial de Deus é o poder de criar a vida, suicidar-se é negar tal poder e, portanto, tornar-se Deus.
Como vemos, a obra de Dostoiévski tem como base a angústia judaico-cristã em face da modernidade niilista para ensejar as trajetórias das personagens. Entretanto, e se alguns seres humanos endinheirados e poderosos já não vierem mais a morrer? E se, municiados pela mais moderna e atualizada tecnologia, eles não só se tornarem potencialmente imortais como adquirem uma capacidade cognitiva que venha a desafiar as tradicionais onisciência, onipotência e onipresença divinas?
Eis os pontos de partida do historiador israelense Yuval Harari (1976 — ), em sua obra visionária Homo deus: uma breve história do amanhã (2015), para sugerir que, depois de milênios de monoteísmo, o antropocentrismo que fundou a história moderna com o Renascimento está chegando a um radical ponto de virada, em cujo cume a humanidade poderá ser superada pela época pós-humana, em que seres biológicos coligados a máquinas e a Inteligências Artificiais venham a recriar, eles próprios, a imagem de Deus à imagem e à semelhança de seu novo e inaudito poder.
Na aula especial, 100% gratuita e ao vivo que o Prof. Dr. Flávio Ricardo Vassoler ministrará no dia 12 de maio de 2026, uma terça-feira, às 20h (horário de Brasília), colocaremos Dostoiévski e Harari em diálogo, de modo a nos fazermos as seguintes perguntas centrais: (i) se a Inteligência Artificial existe, Deus é permitido?; (ii) se Deus é substituído pelo Homo deus, o que acontecerá com a humanidade em face dessa nova forma de divindade?
Atribuído a Ivan Karamázov, personagem do romance Os irmãos Karamázov (1880), o aforismo “se Deus não existe, tudo é permitido” sintetiza um diagnóstico de época sobre a modernidade por parte do grande escritor russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881), para quem a ausência de uma instância absoluta para salvaguardar o bem e o mal poderia levar os seres humanos a um radical relativismo ético (niilismo), sem que tivéssemos um norte para, em algum momento, nos arrependermos de nossas faltas, que, assim, já não seriam vistas como faltas — nesse sentido, a única instância de avaliação humana que existe, mas que logo deixará de existir, é o próprio ego, que tende a se voltar para si em detrimento dos demais.
Analisadas pelo prisma de tal niilismo, as principais personagens de Dostoiévski encarnam, assim, a dimensão de levar às últimas consequências a potencial morte moderna de Deus para substituir o trono vago da divindade pelo próprio ego: Raskólnikov (Crime e castigo, 1866) quer tomar para si o ímpeto homicida para matar o “Não matarás”; o já referido Ivan Karamázov discerne que, se Deus Pai já não existe, por que não solapar seu próprio pai terreno para testar o niilismo de maneira prática e, ainda por cima, abocanhar uma herança polpuda?; Kiríllov (Os demônios, 1872) e o homem ridículo (O sonho de um homem ridículo, 1877) discernem que, se Deus não existe, se a finitude e a morte darão fim a tudo, e se, portanto, a vida não tem sentido algum, é preciso ceifar a própria vida com o suicídio — se, raciocina Kiríllov, o poder primordial de Deus é o poder de criar a vida, suicidar-se é negar tal poder e, portanto, tornar-se Deus.
Como vemos, a obra de Dostoiévski tem como base a angústia judaico-cristã em face da modernidade niilista para ensejar as trajetórias das personagens. Entretanto, e se alguns seres humanos endinheirados e poderosos já não vierem mais a morrer? E se, municiados pela mais moderna e atualizada tecnologia, eles não só se tornarem potencialmente imortais como adquirem uma capacidade cognitiva que venha a desafiar as tradicionais onisciência, onipotência e onipresença divinas?
Eis os pontos de partida do historiador israelense Yuval Harari (1976 — ), em sua obra visionária Homo deus: uma breve história do amanhã (2015), para sugerir que, depois de milênios de monoteísmo, o antropocentrismo que fundou a história moderna com o Renascimento está chegando a um radical ponto de virada, em cujo cume a humanidade poderá ser superada pela época pós-humana, em que seres biológicos coligados a máquinas e a Inteligências Artificiais venham a recriar, eles próprios, a imagem de Deus à imagem e à semelhança de seu novo e inaudito poder.
Na aula especial, 100% gratuita e ao vivo que o Prof. Dr. Flávio Ricardo Vassoler ministrará no dia 12 de maio de 2026, uma terça-feira, às 20h (horário de Brasília), colocaremos Dostoiévski e Harari em diálogo, de modo a nos fazermos as seguintes perguntas centrais: (i) se a Inteligência Artificial existe, Deus é permitido?; (ii) se Deus é substituído pelo Homo deus, o que acontecerá com a humanidade em face dessa nova forma de divindade?
Atribuído a Ivan Karamázov, personagem do romance Os irmãos Karamázov (1880), o aforismo “se Deus não existe, tudo é permitido” sintetiza um diagnóstico de época sobre a modernidade por parte do grande escritor russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881), para quem a ausência de uma instância absoluta para salvaguardar o bem e o mal poderia levar os seres humanos a um radical relativismo ético (niilismo), sem que tivéssemos um norte para, em algum momento, nos arrependermos de nossas faltas, que, assim, já não seriam vistas como faltas — nesse sentido, a única instância de avaliação humana que existe, mas que logo deixará de existir, é o próprio ego, que tende a se voltar para si em detrimento dos demais.
Analisadas pelo prisma de tal niilismo, as principais personagens de Dostoiévski encarnam, assim, a dimensão de levar às últimas consequências a potencial morte moderna de Deus para substituir o trono vago da divindade pelo próprio ego: Raskólnikov (Crime e castigo, 1866) quer tomar para si o ímpeto homicida para matar o “Não matarás”; o já referido Ivan Karamázov discerne que, se Deus Pai já não existe, por que não solapar seu próprio pai terreno para testar o niilismo de maneira prática e, ainda por cima, abocanhar uma herança polpuda?; Kiríllov (Os demônios, 1872) e o homem ridículo (O sonho de um homem ridículo, 1877) discernem que, se Deus não existe, se a finitude e a morte darão fim a tudo, e se, portanto, a vida não tem sentido algum, é preciso ceifar a própria vida com o suicídio — se, raciocina Kiríllov, o poder primordial de Deus é o poder de criar a vida, suicidar-se é negar tal poder e, portanto, tornar-se Deus.
Como vemos, a obra de Dostoiévski tem como base a angústia judaico-cristã em face da modernidade niilista para ensejar as trajetórias das personagens. Entretanto, e se alguns seres humanos endinheirados e poderosos já não vierem mais a morrer? E se, municiados pela mais moderna e atualizada tecnologia, eles não só se tornarem potencialmente imortais como adquirem uma capacidade cognitiva que venha a desafiar as tradicionais onisciência, onipotência e onipresença divinas?
Eis os pontos de partida do historiador israelense Yuval Harari (1976 — ), em sua obra visionária Homo deus: uma breve história do amanhã (2015), para sugerir que, depois de milênios de monoteísmo, o antropocentrismo que fundou a história moderna com o Renascimento está chegando a um radical ponto de virada, em cujo cume a humanidade poderá ser superada pela época pós-humana, em que seres biológicos coligados a máquinas e a Inteligências Artificiais venham a recriar, eles próprios, a imagem de Deus à imagem e à semelhança de seu novo e inaudito poder.
Na aula especial, 100% gratuita e ao vivo que o Prof. Dr. Flávio Ricardo Vassoler ministrará no dia 12 de maio de 2026, uma terça-feira, às 20h (horário de Brasília), colocaremos Dostoiévski e Harari em diálogo, de modo a nos fazermos as seguintes perguntas centrais: (i) se a Inteligência Artificial existe, Deus é permitido?; (ii) se Deus é substituído pelo Homo deus, o que acontecerá com a humanidade em face dessa nova forma de divindade?
Flávio Ricardo Vassoler, escritor, professor, psicanalista em formação, youtuber, fundador da Universidade Virtual do Vassoler (2020-2025), pela qual já ministrou 53 cursos online sobre grandes autores e obras da literatura e das humanidades, além de apresentador do programa semanal Filosofia do cotidiano, na TV 247, é doutor em Letras (Teoria Literária e Literatura Comparada) pela Universidade de São Paulo (USP), com pós-doutorado em Literatura Russa pela Northwestern University, que fica em Evanston, nos Estados Unidos.
Durante o mestrado, realizou um curso de língua russa e pesquisas bibliográficas junto à Universidade Russa da Amizade dos Povos, que fica em Moscou, na Rússia.
É autor do romance O evangelho segundo talião (nVersos, 2013); do livro de ensaios e aforismos sobre cinema, literatura e teoria social Tiro de misericórdia (nVersos, 2014); do livro-tese Dostoiévski e a dialética: fetichismo da forma, utopia como conteúdo (Hedra, 2018); do livro de crônicas, ficções e ensaios Diário de um escritor na Rússia (Hedra, 2019); e do romance de formação em diálogos Metamorfoses, os anos de aprendizagem de Ricardo V. e seu pai (Nômade, fiel como os pássaros migratórios, 2021).
Já fez colaborações jornalísticas para o caderno literário “Aliás”, do jornal O Estado de S. Paulo; para o caderno “Ilustríssima”, do jornal Folha de S.Paulo; para as revistas Carta Capital, Veja e Piauí; e para o site do Brasil 247 .
Flávio Ricardo Vassoler, escritor, professor, psicanalista em formação, youtuber, fundador da Universidade Virtual do Vassoler (2020-2025), pela qual já ministrou 53 cursos online sobre grandes autores e obras da literatura e das humanidades, além de apresentador do programa semanal Filosofia do cotidiano, na TV 247, é doutor em Letras (Teoria Literária e Literatura Comparada) pela Universidade de São Paulo (USP), com pós-doutorado em Literatura Russa pela Northwestern University, que fica em Evanston, nos Estados Unidos.
Durante o mestrado, realizou um curso de língua russa e pesquisas bibliográficas junto à Universidade Russa da Amizade dos Povos, que fica em Moscou, na Rússia.
É autor do romance O evangelho segundo talião (nVersos, 2013); do livro de ensaios e aforismos sobre cinema, literatura e teoria social Tiro de misericórdia (nVersos, 2014); do livro-tese Dostoiévski e a dialética: fetichismo da forma, utopia como conteúdo (Hedra, 2018); do livro de crônicas, ficções e ensaios Diário de um escritor na Rússia (Hedra, 2019); e do romance de formação em diálogos Metamorfoses, os anos de aprendizagem de Ricardo V. e seu pai (Nômade, fiel como os pássaros migratórios, 2021).
Já fez colaborações jornalísticas para o caderno literário “Aliás”, do jornal O Estado de S. Paulo; para o caderno “Ilustríssima”, do jornal Folha de S.Paulo; para as revistas Carta Capital, Veja e Piauí; e para o site do Brasil 247 .
Flávio Ricardo Vassoler, escritor, professor, psicanalista em formação, youtuber, fundador da Universidade Virtual do Vassoler (2020-2025), pela qual já ministrou 53 cursos online sobre grandes autores e obras da literatura e das humanidades, além de apresentador do programa semanal Filosofia do cotidiano, na TV 247, é doutor em Letras (Teoria Literária e Literatura Comparada) pela Universidade de São Paulo (USP), com pós-doutorado em Literatura Russa pela Northwestern University, que fica em Evanston, nos Estados Unidos.
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É autor do romance O evangelho segundo talião (nVersos, 2013); do livro de ensaios e aforismos sobre cinema, literatura e teoria social Tiro de misericórdia (nVersos, 2014); do livro-tese Dostoiévski e a dialética: fetichismo da forma, utopia como conteúdo (Hedra, 2018); do livro de crônicas, ficções e ensaios Diário de um escritor na Rússia (Hedra, 2019); e do romance de formação em diálogos Metamorfoses, os anos de aprendizagem de Ricardo V. e seu pai (Nômade, fiel como os pássaros migratórios, 2021).
Já fez colaborações jornalísticas para o caderno literário “Aliás”, do jornal O Estado de S. Paulo; para o caderno “Ilustríssima”, do jornal Folha de S.Paulo; para as revistas Carta Capital, Veja e Piauí; e para o site do Brasil 247 .
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