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O existencialismo é um humanismo (Sartre) ou é um niilismo (O estrangeiro, Camus)?

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DIA 24/03/26 | TERÇA-FEIRA | 20h

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Eis o tema da aula especial e 100% gratuita

do Prof. Dr. Flávio Ricardo Vassoler:

O existencialismo é um humanismo

(Jean-Paul Sartre) ou é um niilismo

(O estrangeiro, de Albert Camus)?

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O existencialismo é um humanismo

(Jean-Paul Sartre) ou é um niilismo

(O estrangeiro, de Albert Camus)?

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do Prof. Dr. Flávio Ricardo Vassoler:

O existencialismo é um humanismo

(Jean-Paul Sartre) ou é um niilismo

(O estrangeiro, de Albert Camus)?

Em seu ensaio fundamental O existencialismo é um humanismo (1946), o filósofo e escritor francês Jean-Paul Sartre (1905-1980) assim definiu a angústia própria ao ser humano: “O existencialista pensa que é extremamente incômodo que Deus não exista, pois, junto com ele, desaparece toda e qualquer possibilidade de encontrar valores num céu inteligível; assim, não está escrito em nenhum lugar que o bem existe, que devemos ser honestos, que não devemos mentir, já que nos colocamos precisamente num plano em que só existem pessoas. Dostoiévski escreveu: ‘Se Deus não existe, tudo é permitido”. Eis o ponto de partida do existencialismo. De fato, tudo é permitido se Deus não existe, e, por conseguinte, o ser humano está desamparado porque não encontra nele próprio nem fora dele nada a que se agarrar”.


Filosoficamente ateu, o existencialista Sartre afirma que o ser humano não tem qualquer essência — uma alma, no sentido cristão tradicional —, já que, não tendo sido criado por Deus, ele primeiramente existe para, apenas a posteriori, poder conceber a si mesmo como um contínuo vir-a-ser, que, para o pensador francês, é fruto de suas escolhas. Mas, se a existência precede a essência — eis uma das máximas mais conhecidas de Sartre —, e se Deus já não está presente, como instância absoluta, para salvaguardar os valores morais, as escolhas repletas de angústia do ser humano não poderiam se voltar apenas e tão-somente para seus próprios desejos egoístas?


Diante de tal pergunta profundamente tensa e niilista, Sartre defende o caráter humanista do existencialismo, ao afirmar que “o primeiro passo do existencialismo é o de pôr todo ser humano na posse do que ele é e de submetê-lo à responsabilidade total de sua existência. (…) Escolher ser isto ou aquilo é afirmar, concomitantemente, o valor do que estamos escolhendo, pois não podemos nunca escolher o mal; o que escolhemos é sempre o bem e nada pode ser bom para nós sem o ser para todos”.


Imaginemos, agora, o escritor francês (de origem argelina) Albert Camus (1913-1960) concebendo o (anti-)herói Meursault, narrador e protagonista do romance O estrangeiro (1942), em (tenso) diálogo com a noção sartreana de que “não podemos nunca escolher o mal”, pois “o que escolhemos é sempre o bem, e nada pode ser bom para nós sem o ser para todos”. Como trágico contraponto, citemos o primeiro parágrafo d’O estrangeiro: “Hoje, a mãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do asilo: ‘Sua mãe falecida. Enterro amanhã. Sentidos pêsames'. Isto não quer dizer nada. Talvez tenha sido ontem”.


Vazio em si mesmo — vazio de valores, alguém indiferente aos demais, uma pessoa que apenas sente o que a vida lhe traz desde fora, como um estrangeiro a si e ao mundo —, Meursault não apenas se mostra alheio à morte de sua própria mãe, como também acaba cometendo um homicídio, numa praia, não por ter uma intenção (uma essência) malévola, mas porque o conjunto fortuito das circunstâncias simplesmente o levou a disparar — Meursault é um estrangeiro, portanto, à moralidade sartreana que propugna pela escolha individual que visa ao bem coletivo. 


Em nossa aula especial e 100% gratuita, estabeleceremos um diálogo entre Sartre e Camus, a reboque da angústia e das muitas contradições do ser humano, para sabermos se o existencialismo é um humanismo, como advoga Sartre, ou se ele pode se degenerar num trágico niilismo, tal como sugere a trama levada às últimas consequências pela personagem Meursault, do romance O estrangeiro, de Camus.

Em seu ensaio fundamental O existencialismo é um humanismo (1946), o filósofo e escritor francês Jean-Paul Sartre (1905-1980) assim definiu a angústia própria ao ser humano: “O existencialista pensa que é extremamente incômodo que Deus não exista, pois, junto com ele, desaparece toda e qualquer possibilidade de encontrar valores num céu inteligível; assim, não está escrito em nenhum lugar que o bem existe, que devemos ser honestos, que não devemos mentir, já que nos colocamos precisamente num plano em que só existem pessoas. Dostoiévski escreveu: ‘Se Deus não existe, tudo é permitido”. Eis o ponto de partida do existencialismo. De fato, tudo é permitido se Deus não existe, e, por conseguinte, o ser humano está desamparado porque não encontra nele próprio nem fora dele nada a que se agarrar”.


Filosoficamente ateu, o existencialista Sartre afirma que o ser humano não tem qualquer essência — uma alma, no sentido cristão tradicional —, já que, não tendo sido criado por Deus, ele primeiramente existe para, apenas a posteriori, poder conceber a si mesmo como um contínuo vir-a-ser, que, para o pensador francês, é fruto de suas escolhas. Mas, se a existência precede a essência — eis uma das máximas mais conhecidas de Sartre —, e se Deus já não está presente, como instância absoluta, para salvaguardar os valores morais, as escolhas repletas de angústia do ser humano não poderiam se voltar apenas e tão-somente para seus próprios desejos egoístas?


Diante de tal pergunta profundamente tensa e niilista, Sartre defende o caráter humanista do existencialismo, ao afirmar que “o primeiro passo do existencialismo é o de pôr todo ser humano na posse do que ele é e de submetê-lo à responsabilidade total de sua existência. (…) Escolher ser isto ou aquilo é afirmar, concomitantemente, o valor do que estamos escolhendo, pois não podemos nunca escolher o mal; o que escolhemos é sempre o bem e nada pode ser bom para nós sem o ser para todos”.


Imaginemos, agora, o escritor francês (de origem argelina) Albert Camus (1913-1960) concebendo o (anti-)herói Meursault, narrador e protagonista do romance O estrangeiro (1942), em (tenso) diálogo com a noção sartreana de que “não podemos nunca escolher o mal”, pois “o que escolhemos é sempre o bem, e nada pode ser bom para nós sem o ser para todos”. Como trágico contraponto, citemos o primeiro parágrafo d’O estrangeiro: “Hoje, a mãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do asilo: ‘Sua mãe falecida. Enterro amanhã. Sentidos pêsames'. Isto não quer dizer nada. Talvez tenha sido ontem”.


Vazio em si mesmo — vazio de valores, alguém indiferente aos demais, uma pessoa que apenas sente o que a vida lhe traz desde fora, como um estrangeiro a si e ao mundo —, Meursault não apenas se mostra alheio à morte de sua própria mãe, como também acaba cometendo um homicídio, numa praia, não por ter uma intenção (uma essência) malévola, mas porque o conjunto fortuito das circunstâncias simplesmente o levou a disparar — Meursault é um estrangeiro, portanto, à moralidade sartreana que propugna pela escolha individual que visa ao bem coletivo. 


Em nossa aula especial e 100% gratuita, estabeleceremos um diálogo entre Sartre e Camus, a reboque da angústia e das muitas contradições do ser humano, para sabermos se o existencialismo é um humanismo, como advoga Sartre, ou se ele pode se degenerar num trágico niilismo, tal como sugere a trama levada às últimas consequências pela personagem Meursault, do romance O estrangeiro, de Camus.

Em seu ensaio fundamental O existencialismo é um humanismo (1946), o filósofo e escritor francês Jean-Paul Sartre (1905-1980) assim definiu a angústia própria ao ser humano: “O existencialista pensa que é extremamente incômodo que Deus não exista, pois, junto com ele, desaparece toda e qualquer possibilidade de encontrar valores num céu inteligível; assim, não está escrito em nenhum lugar que o bem existe, que devemos ser honestos, que não devemos mentir, já que nos colocamos precisamente num plano em que só existem pessoas. Dostoiévski escreveu: ‘Se Deus não existe, tudo é permitido”. Eis o ponto de partida do existencialismo. De fato, tudo é permitido se Deus não existe, e, por conseguinte, o ser humano está desamparado porque não encontra nele próprio nem fora dele nada a que se agarrar”.


Filosoficamente ateu, o existencialista Sartre afirma que o ser humano não tem qualquer essência — uma alma, no sentido cristão tradicional —, já que, não tendo sido criado por Deus, ele primeiramente existe para, apenas a posteriori, poder conceber a si mesmo como um contínuo vir-a-ser, que, para o pensador francês, é fruto de suas escolhas. Mas, se a existência precede a essência — eis uma das máximas mais conhecidas de Sartre —, e se Deus já não está presente, como instância absoluta, para salvaguardar os valores morais, as escolhas repletas de angústia do ser humano não poderiam se voltar apenas e tão-somente para seus próprios desejos egoístas?


Diante de tal pergunta profundamente tensa e niilista, Sartre defende o caráter humanista do existencialismo, ao afirmar que “o primeiro passo do existencialismo é o de pôr todo ser humano na posse do que ele é e de submetê-lo à responsabilidade total de sua existência. (…) Escolher ser isto ou aquilo é afirmar, concomitantemente, o valor do que estamos escolhendo, pois não podemos nunca escolher o mal; o que escolhemos é sempre o bem e nada pode ser bom para nós sem o ser para todos”.


Imaginemos, agora, o escritor francês (de origem argelina) Albert Camus (1913-1960) concebendo o (anti-)herói Meursault, narrador e protagonista do romance O estrangeiro (1942), em (tenso) diálogo com a noção sartreana de que “não podemos nunca escolher o mal”, pois “o que escolhemos é sempre o bem, e nada pode ser bom para nós sem o ser para todos”. Como trágico contraponto, citemos o primeiro parágrafo d’O estrangeiro: “Hoje, a mãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do asilo: ‘Sua mãe falecida. Enterro amanhã. Sentidos pêsames'. Isto não quer dizer nada. Talvez tenha sido ontem”.


Vazio em si mesmo — vazio de valores, alguém indiferente aos demais, uma pessoa que apenas sente o que a vida lhe traz desde fora, como um estrangeiro a si e ao mundo —, Meursault não apenas se mostra alheio à morte de sua própria mãe, como também acaba cometendo um homicídio, numa praia, não por ter uma intenção (uma essência) malévola, mas porque o conjunto fortuito das circunstâncias simplesmente o levou a disparar — Meursault é um estrangeiro, portanto, à moralidade sartreana que propugna pela escolha individual que visa ao bem coletivo. 


Em nossa aula especial e 100% gratuita, estabeleceremos um diálogo entre Sartre e Camus, a reboque da angústia e das muitas contradições do ser humano, para sabermos se o existencialismo é um humanismo, como advoga Sartre, ou se ele pode se degenerar num trágico niilismo, tal como sugere a trama levada às últimas consequências pela personagem Meursault, do romance O estrangeiro, de Camus.

Flávio Ricardo Vassoler, escritor, professor, psicanalista em formação, youtuber, fundador da Universidade Virtual do Vassoler (2020-2025), pela qual já ministrou 53 cursos online sobre grandes autores e obras da literatura e das humanidades, além de apresentador do programa semanal Filosofia do cotidiano, na TV 247, é doutor em Letras (Teoria Literária e Literatura Comparada) pela Universidade de São Paulo (USP), com pós-doutorado em Literatura Russa pela Northwestern University, que fica em Evanston, nos Estados Unidos.

Durante o mestrado, realizou um curso de língua russa e pesquisas bibliográficas junto à Universidade Russa da Amizade dos Povos, que fica em Moscou, na Rússia.

É autor do romance O evangelho segundo talião (nVersos, 2013); do livro de ensaios e aforismos sobre cinema, literatura e teoria social Tiro de misericórdia (nVersos, 2014); do livro-tese Dostoiévski e a dialética: fetichismo da forma, utopia como conteúdo (Hedra, 2018); do livro de crônicas, ficções e ensaios Diário de um escritor na Rússia (Hedra, 2019); e do romance de formação em diálogos Metamorfoses, os anos de aprendizagem de Ricardo V. e seu pai (Nômade, fiel como os pássaros migratórios, 2021).

Já fez colaborações jornalísticas para o caderno literário “Aliás”, do jornal O Estado de S. Paulo; para o caderno “Ilustríssima”, do jornal Folha de S.Paulo; para as revistas Carta Capital, Veja e Piauí; e para o site do Brasil 247 .


Flávio Ricardo Vassoler, escritor, professor, psicanalista em formação, youtuber, fundador da Universidade Virtual do Vassoler (2020-2025), pela qual já ministrou 53 cursos online sobre grandes autores e obras da literatura e das humanidades, além de apresentador do programa semanal Filosofia do cotidiano, na TV 247, é doutor em Letras (Teoria Literária e Literatura Comparada) pela Universidade de São Paulo (USP), com pós-doutorado em Literatura Russa pela Northwestern University, que fica em Evanston, nos Estados Unidos.

Durante o mestrado, realizou um curso de língua russa e pesquisas bibliográficas junto à Universidade Russa da Amizade dos Povos, que fica em Moscou, na Rússia.

É autor do romance O evangelho segundo talião (nVersos, 2013); do livro de ensaios e aforismos sobre cinema, literatura e teoria social Tiro de misericórdia (nVersos, 2014); do livro-tese Dostoiévski e a dialética: fetichismo da forma, utopia como conteúdo (Hedra, 2018); do livro de crônicas, ficções e ensaios Diário de um escritor na Rússia (Hedra, 2019); e do romance de formação em diálogos Metamorfoses, os anos de aprendizagem de Ricardo V. e seu pai (Nômade, fiel como os pássaros migratórios, 2021).

Já fez colaborações jornalísticas para o caderno literário “Aliás”, do jornal O Estado de S. Paulo; para o caderno “Ilustríssima”, do jornal Folha de S.Paulo; para as revistas Carta Capital, Veja e Piauí; e para o site do Brasil 247 .


Flávio Ricardo Vassoler, escritor, professor, psicanalista em formação, youtuber, fundador da Universidade Virtual do Vassoler (2020-2025), pela qual já ministrou 53 cursos online sobre grandes autores e obras da literatura e das humanidades, além de apresentador do programa semanal Filosofia do cotidiano, na TV 247, é doutor em Letras (Teoria Literária e Literatura Comparada) pela Universidade de São Paulo (USP), com pós-doutorado em Literatura Russa pela Northwestern University, que fica em Evanston, nos Estados Unidos.

Durante o mestrado, realizou um curso de língua russa e pesquisas bibliográficas junto à Universidade Russa da Amizade dos Povos, que fica em Moscou, na Rússia.

É autor do romance O evangelho segundo talião (nVersos, 2013); do livro de ensaios e aforismos sobre cinema, literatura e teoria social Tiro de misericórdia (nVersos, 2014); do livro-tese Dostoiévski e a dialética: fetichismo da forma, utopia como conteúdo (Hedra, 2018); do livro de crônicas, ficções e ensaios Diário de um escritor na Rússia (Hedra, 2019); e do romance de formação em diálogos Metamorfoses, os anos de aprendizagem de Ricardo V. e seu pai (Nômade, fiel como os pássaros migratórios, 2021).

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